quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Yaphet Kotto

Yaphet Kotto foi um ator americano que atuou em diversos filmes e seriados, que em alguns momentos de sua vida se envolveu em política, nesse ano ele se candidatou à presidência dos Estados Unidos pelo partido republicano, pelo que podemos ver não foi bem sucedido. Mas eu vou falar sobre a banda na qual se inspirou em seu nome para usá-lo como o próprio, Yaphet Kotto tem sido a primeira coisa que eu ouço quando abro o winamp, as suas composições trazem indagações políticas e alguns desabafos que me fazem pensar e refletir, as músicas são empolgantes, em sua vida o Yaphet Kotto, passou por constantes mudanças na sua formação, mas sempre manteve Mag e Casey no vocal, a banda nasceu em 1996 e teve seu fim em 2005. Eu traduzi uma entrevista que Mag deu ao criador do myspace fansite, em março desse ano.

Frank: Hei muito obrigado, cara. Eu entendo sua falta de tempo. Vamos em frente e faça uma introdução sobre ti e nos fale algo que poderemos saber sobre você.

Mag: Meu nome é Mag e eu era vocalista e guitarrista numa banda chamada Yaphet Kotto. Isso é tudo por enquanto.

F: Além do Yaphet Kotto, qual outro projeto musical você esteve envolvido? Qual o seu favorito?

M: Deixe me pensar... Farewoods Mission, Sway, Stalwart(Natchez Burning), Staple, Ashes and Crumbs, Two taps left, 17 Queen, Good Machines Gone Bad, Cassiopeia, Bread and Circuits, the Vice, Saviours, Moralyson. Estou certo que possam haver mais dos que eu me lembro.

F: Por que a banda leva o nome do ator Yaphet Kotto?

M: Quando eu morei na costa leste um amigo e eu éramos ambos obcecados por ele(Yaphet Kotto), e quando me mudei para Califórnia, decidi usar este nome para uma banda.

F: Qual seu filme favorito do Yaphet Kotto?

M: Entre meus favoritos estão "Alien", "Across 110 street" e "Bone”.

F: O que te levou a fazer música no estilo em que você tocou? E se você pudesse voltar no tempo, você mudaria de estilo?

M: Raiva e frustração eram o que diziam as músicas que eu e os outros membros ouvíamos, então nós juntamos nossas influências e fizemos música. Eu acho que não mudaria nada, já que nós estávamos tentando ser os mais honestos e apaixonados que nós podíamos... Sem remorsos.

F: Quando o Yaphet Kotto começou a fazer shows, eram os locais onde vocês queriam tocar, ou foram lugares onde vocês foram levados por uma pessoa a tocar?

M: Nós fomos muito bem recebidos pelo fato de nós termos participado de outras bandas previamente.

F: Houve vezes ou lugares onde a banda não foi aceita?

M: Eu digo que não fomos aceitos, mas sim que éramos mal interpretados.

F: Eu já ouvi diversos rótulos destinados ao Yaphet Kotto. Como membro fundador, se você desse um rótulo à banda, qual seria?

M: Eu realmente não gosto de rótulos quando especialmente se trata de música, mas se eu fosse dar um rótulo ao que eu faço eu o chamaria de Hardcore.

F: Como você foi iniciado à cultura hardcore punk?

M: Por meio de amigos que andavam de skate comigo, eles eram "loucos". Gostei muito da intimidade e do modo como agiam em comunidade que puder ver nos shows. As coisas foram um pouco diferente por volta dos anos 80.

F: Quais eram algumas de suas bandas favoritas(antigamente e hoje)? Você teve a honra de tocar com alguma delas?

M: Afghan Whigs, Versus, Mogwai, Indian Summer, Envy.

F: Na música "First Meetings Agreement", há rimas em seus versos. Quem originalmente as fez, e qual a relação entre elas?

M: Nosso baixista antigo Patrick escreveu os versos e para ser honesto eu não tinha pensado nisso antes. Acho que foi sua interpretação sobre o conteúdo da música... Que foi "Eu irei apoiá-lo através de dificuldades e afinidades. (i will stand by you though thick and thin)


F: Muitas das letras falam sobre política e religião. Pode se dizer que esse é o tema central das músicas do Yaphet Kotto?

M: Não, eu não considero religião e política como o tema central, embora esses sejam os temas prevalentes. Eu só tento transmitir minhas opiniões e sentimentos sobre coisas que eu já tenha experimentado pessoalmente, e eu estou certo que o Casey tem a mesma motivação. Então eu diria que o tema é sobre "convivência".

F: Apesar de algumas de suas canções parecerem ser um ataque à religião estando envolvidos em lugares onde não estão (me corrija caso eu esteja errado), pessoalmente você é religioso?

M: Eu não sou religioso embora eu partilhe da idéia de uma força superior.

F: Uma música qual eu tive um pouco de problema para enteder foi "Driving Trought Natchez". Você poderia explicar a mensagem nessa música e o significado de "Natchez Burning" no centro do vinil?

M: Isso é uma referência ao assassinato de três trabalhadores dos direitos civis em Natchez Mississippi... Natchez Burning foi uma banda que eu toquei quando morei em CT(Connecticut).

F: Quais foram outros tópicos que você achou importante o suficiente para compor sobre?

M: Relacionamentos, falsas intenções, tendências da moda... Basicamente tudo o que foi inspirador seja negativo ou positivo ou político.

F: Você conheceu o Casey através da banda? Se não, como vocês dois se conheceram?

M: Nós nos conhecemos na loja de discos onde ele trabalhava (Baseline)

F: Quais foram as maiores diferenças sobre "o que era o mais importante para compor" entre você e Casey?

M: Casey e eu tínhamos as mesmas idéias então eu posso dizer que não houveram diferenças sobre "o que era mais importante para compor". Acho que nós nos baseamos apenas na idéia inicial porque levávamos a banda em primeiro lugar.

F: Quantas vezes você e Casey contribuíram para escrever a letra de uma mesma música? Alguma vez você cantou letras que ele escrevera? (ou vice-versa)?

M: Eu escrevi a maioria das letras e ele cantou o que eu tinha escrito. Eu só cantei o que ele escreveu na nossa última música no "we bury our dead alive.”

F: Como foi trabalhar com Jose Palafox?

M: Ele foi o melhor bateirista que eu tive o prazer de tocar junto, infelizmente nossas personalidades se colidiram durante nossa turnê européia.

F: É essa a história por trás do título de "Syncopated Synthetic Laments For Love"?

M: Esse é um verso de um livro do James Baldwin. Outra história.

F: Eu ouvi muitas mudanças entre a troca de dois LPs e "We Bury Our Dead Alive". Houve alguma razão específica para as alterações feitas nessa altura?

M: Sim... Você sabe as pessoas amadurecem é o que nós fizemos de muitas maneiras diferentes. Acho que é só isso.

F: Eu observei que alguns álbuns dizem "todo material está sujeito a mudança." Alguma coisa mudou?

M: Nós fizemos isso porque você nunca irá saber o que acontecerá no futuro... daí surgiram os versos falando sobre as mudanças.

F: Como o Yaphet Kotto acabou envolvido com a Ebulition Records?

M: Casey trabalhava numa loja de discos em Santa Cruz, então ele trabalhou com Kent e Lisa com distribuição. Como nós dois éramos fãs do selo, acabamos os contatando na possibilidade de nós podermos gravar um disco. Então nós fomos até Goleta, então fizemos um show no Pickle Patch(agradeço ao Steve Aoki), Kent desceu as escadas e ouviu algumas de nossas músicas, ele e Casey começaram a conversar e o resto da história você já sabe.

F: Quantas vezes a banda estampou suas próprias camisas e criou suas próprias capas de discos(e geralmente são vocês que fazem suas próprias mercadorias)?

M: Nós fizemos nossas próprias camisetas até o segundo LP, e fizemos também a capa de todas as cópias do s/t 7"(foram 500 cópias).

F: Nos diga uma grande lembrança que você tem no seu tempo no Yaphet Kotto.

M: Uau, essa é difícil para responder. Mas para dizer uma, eu cito quando nós fizemos a turnê pelo Japão com o This Machine Kills e Envy... foram grandes lembranças.

F: Eu gostei de como vocês, o This Machine Kills e o Envy, não só fizeram a turnê juntos e gravaram um split mas também pelo fato de terem feito uma música juntos. Qual foi a idéia para "the collaboration song"?

M: Essa foi uma idéia minha e eu fiquei surpreso por ter dado certo. Numa noite, fomos a um estúdio sem uma idéia concreta... O Nobu do Envy escreveu as partes principais e nós todos adicionamos o que havíamos feito. Isso foi no mínimo interessante.

F: Quantos continentes (tirando a América do Norte) você conheceu por causa do Yaphet Kotto? E quais?

M: Dois... Ásia(Japão) e Europa.

F: A guitarra e o vocal sempre foram os mesmos durante a vida da banda, mas houveram pequenas mudanças no baixo e bateria. Você tem uma formação favorita?

M: Minha formação favorita é: Austin Baber, no baixo e Scott Batiste na bateria. Essa é a minha formação favorita porque quando Scott voltou à banda, eu sentia que éramos os melhores. Infelizmente isto não durou muito.

F: Se você tivesse que escolher uma música e um álbum do Yaphet Kotto, que você mais gosta, quais seriam?

M: A música seria: I would say Circumstantial Evidence or Suffocate. E o álbum: Definitely Syncopated Synthetic Laments for Love.

F: Qual foi ou foram as razões que levaram a banda a se separar?

M: Nós estávamos indo para direções diferentes e nosso relacionamento estava uma merda. Eu acho que as pessoas perderam um pouco de respeito pelas outras.

F: O Yaphet Kotto tocou um show anunciado como o último, ou aconteceram coisas que fizeram a banda acabar antes do mesmo?

M: A banda teve seu fim antes do mesmo.

F: Se hoje em dia o Yaphet Kotto ainda fizesse shows, quais seriam as bandas que você gostaria de tocar junto?

M: Hm... Eu não lhe diria que teria uma banda de minha escolha, acho que seria mais fácil quererem tocar conosco.

F: Quais projetos tem membros do Yaphet Kotto envolvidos desde que a banda acabou?

M: O Casey está tocando com o Luck Back and Laugh e algumas outras bandas... Scott, Austin e eu tocávamos no Saviors, mas
eu não pertenço mais à banda.

F: As músicas que você escreveu no Yaphet Kotto influenciam as músicas que você faz hoje no Moralyson?

M: Realmente, não. As músicas do Moralyson estão além de minhas influências... No Afghan whigs e no Dinosaur Jr, eu trato sobre coisas que as bandas de indie rock falam.

F: Pelo que eu sei, você teve problemas para recrutar membros para o seu novo projeto, o Moralyson. Em relação a isso, como as coisas vão agora?

M: As coisas vão realmente bem, considerando que essa é a primeira vez em anos que eu consigo manter uma banda junta.

F: Onde é que o Moralyson está lançando material e fazendo shows no momento?

M: No momento estamos apenas ensaiando e planejamos lançar material novo até o meio de março.

F: Eu li que as primeiras cópias do 7" vieram com selos de touro. A pessoa que escrevera sobre isto estava excessivamente excitada com o selo de touro. Há uma história por trás disso?

M: Não, bem... nós éramos vegetarianos na época, então este pode ser um fator.

F: Eu ouvi dizer que supostamente poderia acontecer um re-lançamento do 7" pela Deck Records. Isso ainda irá acontecer?

M: Sinceramente, eu não sei. A última vez que eu ouvi falar sobre, estavam trabalhando nisso. Eu deixo que o Casey leve à frente as coisas ligadas à banda. Isso poderá ser uma surpresa para todos nós.

F: Mais algumas palavras?

M: Eu quero agradecer a todos que compartilharam da experiência do
Yaphet kotto conosco. E espero também que essa experiência tenha sido tão boa para eles quanto foi para mim. E novamente, obrigado Frank.

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